sexta-feira, 23 de abril de 2010

microRNAs movem-se por entre células


Desde que pequenos pedaços de material genético, conhecidos como microRNAs (pequenos RNAs, com 20 a 22 nucleótidos, resultantes da clivagem de um RNA maior não codificante e que possui uma estrutura secundária), foram pela primeira vez caracterizados, os cientistas têm vindo a descobrir o quão importante são para regular a actividade dos genes nas células. 

Um novo estudo, publicado na revista «Nature», mostra agora que os microRNA também se podem mover de uma célula para outra para enviar sinais que influenciam a expressão do gene.

A descoberta acrescenta o microRNA à lista de moléculas móveis, como as hormonas, proteínas e outras pequenas formas de RNA, que permitem comunicações essenciais entre as células e o processo de desenvolvimento de um órgão.

Marta Ferreira

terça-feira, 13 de abril de 2010

"CRUDE" de Joe Berlinger


A obra, apresentada pela primeira vez em Portugal, representa a história épica de um dos casos legais mais controverso do planeta – o infame «Amazon Chernobyl», de 27 mil milhões de dólares. Este documentário de 104 minutos, classificado como ‘cinema-verité’, tem a assinatura de Joe Berlinger.


(Foto 
de Juan Diego Pérez)
(Foto de Juan Diego Pérez)
A demanda dos queixosos

Filmado em três continentes e múltiplas línguas, Berlinger centrou-se nos demandantes que afirmam que a Texaco (que se fundiu com a Chevron em 2001) passou três décadas a contaminar uma das áreas de maior biodiversidade do planeta, a envenenar a água, ar e terra.

Os queixosos alegaram que a poluição criou uma zona de morte (‘death zone’), onde se verificou o aumento das taxas de cancro, leucemia, malformações em bebés, e uma multiplicidade de outras doenças. As operações ligadas ao petróleo contribuíram para a destruição dos povos indígenas afectados e, irrevogavelmente, do modo de vida tradicional.

«Crude» incide sobre o custo de vidas humanas devido à dependência do petróleo e na tarefa cada vez mais difícil de fazer com que uma grande corporação se responsabilize pelas suas acções passadas.
 
Rui Lopes

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Estranha criatura encontrada na China

Um estranho animal, capturado na província de Sichuan, num local remoto da China central, está a caminho de Pequim para ser submetido a testes de DNA. Agora baptizado de ‘yeti oriental’, a criatura foi associada à uma lenda local sobre um alegado urso que teria sido homem, segundo revelou o jornal britânico «Times».

O animal não tem pelugem, parece um urso e tem uma cauda semelhante a de um canguru. Segundo os caçadores, é muito parecido com o ‘Yeti’ (monstro mítico), mas soa como um gato quando emite sons. O nome ‘Yeti’ é geralmente identificado com o abominável homem das neves, que a lenda caracteriza como um símio gigante que vivia nos Himalaias – conhecido como BigFoot (Pé gigante) na América do Norte ou Meh-teh (homem urso) no Tibete.

Alguns populares acreditam que este animal é um exemplo real destas lendas, embora a comunidade científica rejeite “o folclore”. O ‘yeti oriental’ vai ser analisado por especialistas em Pequim.

Rui Lopes

quinta-feira, 25 de março de 2010

Nova técnica para tratar o cancro

Uma investigação conduzida e patenteada por Mark Howard, da Escola de Biociências da Universidade de Kent, levou ao desenvolvimento de uma nova técnica que poderá proporcionar tratamentos de cancro, actuando directamente em determinados tumores. Um dos cancros que poderia beneficiar deste tratamento é o cancro do pâncreas, que actualmente é muito difícil de tratar.


A técnica, anunciada recentemente pela Tecnologia de Investigação para o Cancro (Cancer Research Technology − CRT nas siglas em inglês), envolve péptidos (dois ou mais aminoácidos interligados) anti-cancerígenos, ligados a uma proteína encontrada em níveis elevados em muitas das células tumorais, mas ausente na maioria dos tecidos normais. Ao procurar esta proteína, os péptidos podem oferecer tratamentos directos no local com maior precisão e com menores efeitos colaterais.

Uma organização que junta a investigação norte-americana com as instituições europeias, a Aura Biosciences, já certificou a técnica do CRT.

Howard tentou identificar o desenvolvimento e forma dos péptidos e explicou que “estes três péptidos têm uma forma particular e tridimensional, permitindo-lhes produzir proteínas associadas ao tumor de um modo mais eficaz do que observado anteriormente”. O cientista ainda acrescentou: “Conseguimos modelar os péptidos em diferentes formas e ver claramente a relação entre a forma e a eficácia dos péptidos”.



Tratamento e identificação

O investigador de Kent explicou também que esta tecnologia tem potencial tanto no tratamento de tumores como na identificação de cancros.

O director da Gestão de Negócios do CRT, Phil L’Huillier afirmou, em relação aos efeitos secundários que “estes péptidos têm potencial em encontrar e destruir as células cancerígenas, deixando as áreas circundantes ilesas”.

“Acreditamos que esta tecnologia pode ter pontos fortes em cancros com limitadas opções de tratamento, como o de cancro de pâncreas, de cabeça ou de pescoço. Fundamentalmente este tratamento dirigido também pode reduzir os efeitos colaterais que são normalmente associados às terapêuticas actuais. Aguardamos com expectativa os resultados deste interessante programa”
, afirmou L’Huillier.



Sara Esteves

quarta-feira, 17 de março de 2010

BrainPort Vision: A patente que traz visão aos invisuais


Graig Lundberg é um jovem de 24 anos que perdeu a vista num ataque de granadas, no Iraque e foi escolhido para ser o primeiro a testar o sistema, pelo Ministério da Defesa britânico. Três anos mais tarde, reaprende a "ver" através de um aparelho à base de estímulos eléctricos.


As imagens são um pouco difusas
As imagens são um pouco difusas
Os estímulos são sentidos pela língua através de uma espécie de cartão que se coloca na boca. Ao reconhecer que os impulsos não têm relação com o paladar, o cérebro reencaminha-os para o seu centro visual, onde são processados e reinterpretados, dando assim ao utilizador uma espécie de visão rudimentar.





Segundo as informações disponibilizadas na página oficial da Wicab, a empresa criadora do BrainPort associado ao Tongue Display Unit (Unidade de visualização com a Língua), esta tecnologia "é especialmente útil para pessoas que não conseguem ver mais do que manchas luminosas".

“Ver através da língua” foi um conceito que conseguiu ser convertido em patente. No Tongue Display Unit, os padrões de luz, apanhados pela câmara, são convertidos por um pequeno computador em impulsos eléctricos, através de cem eléctrodos de aço inoxidável. Os primeiros utilizadores definem a sensação como tocar uma bateria com a língua, uma sensação de formigueiro.

As pulsações são codificadas no espaço, ou seja, a pessoa que recebe os sinais na língua pode perceber a profundidade, perspectiva, tamanho e forma. Essa informação é traduzida pelo cérebro em imagens, embora sejam difusas, por causa da baixa resolução.

Rui Lopes